O jornal mais antigo em circulação do Agreste Setentrional de Pernambuco

Domingo, 14 de Junho de 2026 07:34

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  • Homem morre em colisão envolvendo moto e carreta na PE-90 em Surubim

    José Maciel morava na comunidade de Furnas, na área rural de Surubim e trabalhava no Centro da cidade como vendedor de bilhetes da Zona Azul (Foto: Reprodução/ WhatsApp)

    Um homem de 34 anos morreu após colidir com a moto que conduzia na lateral de uma carreta. O acidente aconteceu por volta das 23h, na rodovia PE-90, em Surubim, próximo a entrada da Chã do Marinheiro. A vítima foi identificada como José Maciel Arruda da Silva. Ele morava na comunidade de Furnas, na área rural de Surubim e trabalhava no Centro da cidade como vendedor de bilhetes da Zona Azul.

    A posição em que ficaram os veículos indicam que a carreta estava entrando na rodovia, sentido cidade, quando foi atingida pela motocicleta, que seguia em direção à localidade de Lagoa da Vaca. Câmeras de segurança de imóveis localizados perto do local do acidente podem ajudar a Polícia Civil a esclarecer como ocorreu o fato. Após a colisão, o veículo de carga ficou interditando as duas faixas da pista. O corpo de José Maciel foi encaminhado para o Instituto de Medicina Legal (IML), em Caruaru. Não foram divulgadas informações sobre o motorista da carreta.

     

  • Na data de hoje 200 anos atrás: Confederação do Equador – colocada em prova pela primeira vez o poder de fogo da tropa

    Continuando com a publicação de textos do historiador Fernando Guerra extraídos do seu trabalho “O Agreste Setentrional e a Confederação do Equador”, na postagem de hoje, iremos tratar dos acontecimentos em Limoeiro.

    O Agreste Setentrional em 1824

    LIMOEIRO

    Dia 25 de setembro de 1824

    Na data de hoje, 25 de setembro, no ano de 1824, os combatentes da Confederação do Equador, após atravessarem a zona da Mata Norte pernambucana, chegaram ao Vale do Capibaribe no atual Agreste Setentrional do estado, marchando três léguas e meia de Pindoba das Flores até Limoeiro.

    Nessa Vila foi colocada em prova pela primeira vez o poder de fogo da tropa.

    Embora o contingente republicano não tenha se aproximado do Curato do Bom Jardim, esse teve uma atuação significativa entre os que criaram obstáculos à passagem dos republicanos, sobretudo pelo Vale do Capibaribe.  As forças mobilizadas naquela localidade, não somente atacaram os confederados em Limoeiro mas seguiram fustigando a tropa até mesmo depois de Couro Dantas como relatamos neste trabalho.

    Sobre esse confronto, registra Frei Caneca “que por influência de um frade franciscano natural da Bahia de Todos os Santos, Frei Jerônimo de São José, capitão de guerrilha, haviam tropas no Limoeiro vindas do curato de Bom Jardim para nos proibirem a passagem. Por este princípio, contando nós com o inimigo à frente, dispusemos a força em ordem de batalha e assim entramos debaixo de fogo”.

    “Perdeu o inimigo 34 soldados contra alguns feridos da coluna em marcha. O Frei Jerônimo que estava na vila foi o primeiro que correu a todo o galope desamparando os seus comandados. Nós tivemos seis feridos entre os quais o mais notável foi o major Joaquim Parahiba, comandante do 2º Batalhão”.

    Enquanto se encontravam na Vila, dois soldados da divisão se “questionaram sobre vivas a Manoel de Carvalho” e trocaram tiros. Um de Brejo de Areia chamado Pororoca e outro de Pernambuco. “Pororoca morreu no local enquanto o de Pernambuco durou alguns dias vindo a morrer no lugar chamado Tanques”.

    Na época, Limoeiro “constava de uma só rua muito comprida, com uma igreja matriz, ao entrar na dita rua, as casas são de má edificação, a maior parte velhas e de taipa. O melhor edifício que ali se encontra é a casa do Inglez Kerne onde há uma machina de ferro para descaroçar algodão, bater e ensaccar o mesmo, e para fazer azeite e muitas outras cousas, sendo essa machina de grande preço e muito valor (sic).

    O pernoite fora feito na vila e no dia seguinte continuaram a marcha.

    Dia 26 de setembro

    Na trajetória empreendida pela chamada Coluna de Frei Caneca, ao sair da Vila do Limoeiro, subindo às cabeceiras do Capibaribe, foi atacada em Espinho Preto sem perdas.  Em Canafístula, meia légua adiante, Caneca foi hospedado pelo capelão, o frade franciscano Frei José Pinto, tendo pernoitado no local, juntamente com a tropa.

  • Na data de hoje 200 anos atrás: Confederação do Equador – formados quatro batalhões

    Continuamos com a publicação de textos do historiador Fernando Guerra extraídos do seu trabalho “O Agreste Setentrional e a Confederação do Equador”, na postagem de hoje, iremos tratar dos acontecimentos em Pindoba das Flores.

    PINDOBA DAS FLORES

    Dia 23 e 24 de setembro

    No dia 23 de setembro, marcharam para Pindoba das Flores, propriedade do Capitão Joaquim Cavalcanti “onde encontramos o capitão Leandro César com uma companhia das forças da Paraíba e uma peça de artilharia compondo a força toda”.

    Hoje, não mais existe o topônimo Pindoba das Flores denominando qualquer engenho ou povoação distando quatro léguas (24 km) desde o Engenho Poço Comprido e daí até o Vale do Capibaribe cerca de três léguas e meia (21 km).

    Nessa localidade organizou-se a divisão de quatro batalhões, sendo o 1º composto de uma linha de Pernambuco e da Paraíba, o 2º, de um batalhão de milícias e de artilharia dos Henriques de Pernambuco, o 3º das milícias do mato e soldados de guerrilha avulsos, o 4º de todas as milícias da Paraíba. Além deles encontravam-se grupos de artilharia, de cavalaria, guarda avançada, grupos de guerrilha e outros mais.

    Entre soldados de 1ª e 2ª linha, guerrilheiros e paisanos com famílias contavam-se quase três mil pessoas. Pernoitaram duas noites nessa propriedade e depois desse arranjo marcharam para Limoeiro.

  • Na data de hoje 200 anos atrás: formada a Divisão Constitucional da Confederação do Equador

    Engenho Poço Comprido, na zona rural de Vicência, na Mata Norte do Estado (Foto: Reprodução/ Divulgação)

    Continuando com a publicação de textos do historiador Fernando Guerra extraídos do seu trabalho “O Agreste Setentrional e a Confederação do Equador”, na postagem de hoje, iremos tratar da formação da Divisão Constitucional da Confederação do Equador.

    VICÊNCIA

    22 de setembro

    Neste dia 22 de setembro em 1824, após dormirem no Engenho Poço Comprido onde, finalmente, reuniram-se com a força da Paraíba comandada pelo capitão João de França Câmara celebrou-se um Grande Conselho composto do governador eleito das armas e presidente temporário da Paraíba, Félix Antônio, de toda a oficialidade e das pessoas mais atendíveis pelo seu estado, pelo seu talento e patriotismo.

    Ficou naquele momento decidido:

    1 – “Que nenhuma capitulação aceitariam do general Lima comandante das tropas imperiais a não precederem a evacuação das tropas do Rio de Janeiro, que ocupavam a capital de Pernambuco;                                                

     2 – Instalação da Assembleia Constituinte do Brasil em um ponto central do mesmo onde em liberdade e fora da influência das armas do Rio de Janeiro ou em outra qualquer província, se pudesse discutir e decretar a Constituição ou leis fundamentais do Brasil;

    3 – Não receber nenhuma que não fosse feita pelos legítimos representantes da nação brasileira reunida em congresso soberano;

    4 – Que se tomassem todas as medidas necessárias para a defesa da liberdade da pátria, se levantasse o acampamento e se procurasse outra posição vantajosa donde pudessem ter comunicação com os liberais da província do Ceará, do Rio Grande do Norte, interior da Paraíba, divisão liberal de Garanhuns e especialmente com o general Filgueiras, afim de combinarem os planos de ataque sobre o inimigo”.

    5 – Que se organizasse uma divisão composta de todos os homens d’armas que se achavam neste acampamento, a qual divisão se deveria denominar Divisão Constitucional da Confederação do Equador.”

  • Na data de hoje 200 anos atrás: Frei Caneca passa por Condado e Nazaré

    Continuamos com a publicação de textos do historiador Fernando Guerra extraídos do seu trabalho “O Agreste Setentrional e a Confederação do Equador”.

    A Confederação do Equador -4

    (Continuação)

    CONDADO E NAZARÉ

    No dia 20 de setembro de 1824 ao amanhecer seguiram em marcha para a vila de Goianinha, hoje cidade de Condado, “ali encontrando o grosso da divisão e um povo numeroso e algumas famílias honestas”.  “Goianinha é uma povoação não pequena e representa ter algum comércio de gêneros da lavoura. Tem uma igreja pequena; ela e as casas da povoação são de má ou nenhuma architectura à exceção de mui poucas as outras são de palha”.

    “Passamos aqui o dia e saímos à tarde para o engenho Cangaú (Cangaliú) indo a força para Nazaré”.  Nesse engenho “passamos a noite e na manhã seguinte 21, seguimos a nossa marcha indo passar a calma do dia em Monte Belo na Laranjeira”.

    VICÊNCIA

    Dia 21 de setembro

    A Divisão Constitucional da Confederação do Equador

    “Fomos dormir no dia 21 no Engenho Poço Comprido” onde, finalmente, reuniram-se com a força da Paraíba comandada pelo capitão João de França Câmara.

  • Giro Policial: caminhão-baú pega fogo no Centro de Surubim e ex-presidiário sofre tentativa de homicídio

    Corpo de Bombeiros foi acionado mas não conseguiu evitar a perda total da mercadoria (Foto: Lulu/Surubim News)

    Nas últimas 24h as notícias policiais de destaque em Surubim foram uma tentativa de homicídio e um incêndio em um caminhão-baú. A tentativa de assassinato aconteceu na noite desta terça-feira (17) no Conjunto Residencial José de Souza Barbosa, na Chã do Marinheiro e teve como vítima Joedson Belarmino da Silva, de 32 anos.

    Ele foi atingido com três disparos de arma de fogo na cabeça e socorrido para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), no bairro do Coqueiro. Após receber os primeiros socorros, Joedson foi intubado e transferido em estado grave para o Hospital da Restauração, no Recife. Segundo a Polícia Militar, ele é ex-presidiário e estava na casa de uma mulher com quem tem um relacionamento amoroso. A autoria e motivação do crime até agora são desconhecidas.

    Já na manhã desta quarta-feira (18), um caminhão-baú que estava estacionado na Rua Antônio Emiliano de Farias, no Centro da cidade, pegou fogo. O compartimento de carga do veículo armazenava colchões e bobinas de espuma, material altamente inflamável. O Corpo de Bombeiros foi acionado pela Secretaria de Defesa Social mas não conseguiu evitar a perda total da mercadoria. Ninguém se feriu.

    Não é a primeira vez que situação como essa ocorre no Centro da cidade. Em 12 de fevereiro de 2015, um caminhão-baú, carregado de colchões, também pegou fogo ao colidir com a rede elétrica na Rua Euclides Mota. O motorista, quando percebeu o início do incêndio, mesmo arriscando a própria vida, conseguiu levar o veículo até um terreno próximo ao Parque de Exposições de Animais, para evitar danos maiores na rua onde o fogo começou, local de grande movimentação de pessoas e veículos. Como na ocorrência de hoje a carga foi completamente perdida.

  • História do Brasil no Correio do Agreste – A Confederação do Equador

    Certamente o único episódio que insere o município de Surubim na História do Brasil é a passagem de Frei Caneca e das tropas da Confederação do Equador pelas margens do Capibaribe há 200 anos.

    O historiador Fernando Guerra publicará neste Correio do Agreste seu trabalho sob o título “O Agreste Setentrional e a Confederação do Equador”.

    A relevância desse momento não foi devidamente entendida pelo setor educacional do município quando o autor sugeriu uma ampla divulgação nas escolas locais. Diante disso e acreditando que o assunto é do interesse de todos, este jornal decidiu desempenhar o papel que caberia ao poder público. Levará aos seus leitores, em forma de diário, a dramática passagem por Surubim e por outros municípios do Agreste das tropas confederadas quando seguiram para o Ceará de onde Frei Caneca voltou preso para ser arcabuzado em Recife. Começamos hoje nossa série. Acompanhe!

    A Confederação do Equador -2

    Fernando F. Guerra

    Bandeira da Confederação do Equador com as predominâncias das cores azul e amarelo, de autoria desconhecida, onde ressaltam as representações da cana de açúcar e do algodão principais produtos econômicos de Pernambuco na época. Ao centro, a cruz remete ao forte sentido cristão do movimento. Os dizeres Religião, Independência, União, Liberdade, traduzem a essência do pensamento norteador confederado. Encimado no quadrilátero amarelo, em destaque, a mão com o “olho que tudo vê” sinaliza para a presença maçônica numa das mais emblemáticas revoluções pernambucanas. Em 2006 a bandeira da Confederação do Equador foi adotada como insígnia oficial do Governador do Ceará. (Foto: Reprodução/ Felipe Fidelis Tobias)

    Introdução

    Parte deste trabalho, são transcrições do ITINERÁRIO QUE FEZ O FREI DO AMOR DIVINO CANECA, SAINDO DE PERNAMBUCO A 10 DE SETEMBRO DE 1824 PARA A PROVÍNCIA DO CEARÁ GRANDE. Trata-se de um diário de campanha escrito pelo Mártir pernambucano com relatos minuciosos da fuga empreendida pelas tropas republicanas. Nossa abordagem principal diz respeito ao momento em que os confederados transformaram o Agreste Setentrional de Pernambuco no cenário de um dos mais dramáticos episódios da História do Brasil.

     Resumo

    No ano de 1824 reacendeu o espírito libertário de Pernambuco e na província teve início um confronto com o poder imperial que resultou na CONFEDERAÇÃO DO EQUADOR, movimento constitucionalista e republicano.

    Como antecedentes, registra-se que no dia 12 de novembro de 1823, a Assembleia Constituinte que se reunia no Rio de Janeiro para dotar o país de uma Constituição fora destituída por decreto imperial, sob ameaça de tropas militares e dissolvida, tendo os deputados pernambucanos, ao retornarem à província, feito um Manifesto denunciando o golpe de estado.

    Abalada pela drástica medida a junta que governava Pernambuco, no dia 13 de dezembro num Conselho que convocara, pediu que aceitassem sua demissão, tendo sido eleito naquele momento, como seu presidente, Manoel de Carvalho Paes de Andrade que servia de intendente da Marinha.

    Em seguida, chegaram notícias da capital do Império dando conta que o imperador que passara a comandar o Brasil de forma absolutista, afastava o governador Manoel de Carvalho Paes de Andrade do governo provincial nomeando em seu lugar Francisco Paes Barreto. Este, considerado como inapto para governar e repudiado pelos pernambucanos.

    Contrapondo-se à decisão imperial, no dia 8 de janeiro de 1824 a Câmara de Olinda, ainda capital da província, em Assembleia Geral Constituinte ratificava a decisão anterior de manter Manoel de Carvalho à frente do governo pernambucano, ignorando a nomeação imperial do morgado do Cabo Francisco Paes Barreto. Em sua Cronologia Pernambucana, Nelson Barbalho afirma ser essa medida um “insulto ao imperador e a confissão indisfarçada de insubmissão às ordens emanadas da corte”.

    Naquele momento, em Olinda, quando se efetivou o governo de Carvalho, em seu discurso, o grande pensador Frei Caneca concluindo-o reafirmou ser “uma imprudente e arriscada medida do Ministério de Sua Majestade querer teimosa e caprichosamente ir de encontro à nossa felicidade, paz e sossego, em uma ocasião em que todas as luzes os seus despachos nos procuram males e calamidades (sic). Por isso fundado nestas razões, repito, que não se deve admitir Francisco Paes Barreto à presidência da província”.

    Estava assim selado, em rápidas considerações, o rompimento entre a província de Pernambuco e a corte imperial do Brasil.

    Essa mobilização revolucionária, emancipacionista e republicana, que eclodira no dia 2 de julho de 1824 se opunha ao absolutismo de D. Pedro I deflagrando-se de Pernambuco para as províncias da Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. A bandeira da independência e da república tremulou nos céus pernambucanos durante os meses de julho, agosto e primeira quinzena de setembro de 1824.

     Confederação do Equador -3

    A Represália

    Batalha de Afogados – Forças imperiais invadem o Recife – Pintura de Leandro Martins

    O imperador D. Pedro I mobilizou forças de terra e mar para sufocar o movimento republicano que eclodira em Pernambuco.

     No dia 18 de agosto de 1824 uma expedição militar imperial chegou a Maceió tendo à frente o brigadeiro Francisco de Lima e Silva de onde após uma semana para se reabastecer, seguiu para Recife. Em 19 o mercenário inglês Lord Cochrane, com a nau Pedro I ocupou o porto do Recife.

    As forças pernambucanas não resistiram à invasão do Recife e já no dia 12 de setembro o brigadeiro Lima ocupou os bairros de Santo Antônio e Boa Vista tendo a seguir as tropas pernambucanas batido em retirada.

    A trajetória da fuga de Frei Caneca

    Frei Joaquim do Amor Divino Caneca, um dos mais emblemáticos heróis e mártires nacionais, nasceu em Recife no bairro de Fora-de-Portas, Freguesia de S. Frei Pedro Gonçalves no ano de 1779, que hoje, sob a denominação de Pilar, situa-se nas proximidades da zona portuária da cidade do Recife.

    Ele, que anteriormente esteve entre os heróis pernambucanos envolvidos na Revolução de 1817 e que fora preso e recolhido às masmorras da Bahia, foi o principal mentor intelectual da Confederação do Equador. Difundiu seu ideário de libertação em diversos escritos tais como “Dissertação sobre o que se deve entender por Pátria do Cidadão”, “Cartas de Pítia a seu amigo Damão”, “O caçador atirando à Arara  Pernambucana” entre tantos outros, publicados em periódicos da época dentre eles o Typhis Pernambucano do qual era o editor. O mesmo Frei Caneca dizia “que à proporção que nossos trabalhos se estendiam a beneficiar nossos compatriotas, nós caminhávamos ao perigo e à ruína, pois que nossas verdades chocavam os interesses de D. Pedro de Alcântara, príncipe português que o Brasil imprudente e loucamente havia aclamado seu imperador”.

    Quando se viu traído, após as tropas que deveriam defender o Recife abrirem as portas da cidade sem oferecer a menor resistência às forças imperiais; quando sentiu que toda a oficialidade se encontrava dividida em grupos e tendo sido alertado para se ocultar, pois era alvo de intensa procura, juntamente com outros partícipes da conjuração, Frei Caneca tratou de se pôr a salvo, fugindo “das garras da perfídia”.

    Ele, João Soares Lisboa, Francisco de Souza, o coronel José Antônio Ferreira, o major José Gomes do Rego, o capitão Braga, José Matias, o irmão deste e um soldado mouco camarada do Braga, desde o dia 10 de setembro articularam-se para a fuga. Mas, somente saíram de Olinda às dez horas da noite do dia 16 tendo atravessado Olinda passando por todos os piquetes procurando a Vila de Igarassu.

    Viajaram por toda a noite e amanheceram o dia 17 no engenho Utinga onde o grupo dividiu-se. Cazumbá unido a José Matias “trouxeram ao seu partido o coronel Ferreira”. Caneca afirma que eles “passaram a olhar para nós como pessoas do maior perigo, obstáculos para a salvação dos mesmos, não mais querendo ver um só soldado da divisão pernambucana e nem serem vistos deles”.

    Dentro desse clima, na manhã seguinte do dia 18, Rangel, Lisboa e Caneca tomaram o rumo em direção ao engenho Papicú onde jantaram e seguiram para o engenho Caraú pertencente a João Nepomuceno Carneiro da Cunha “afim de que aí conforme as informações que tivessem dos negócios de Goiana tomássemos a deliberação que fosse mais prudente e segura”.

    GOIANA

    Dia 19 de setembro

    Segundo informações colhidas, “em Goiana havia uma reunião de forças do Recife, as quais unidas às de Goiana e Paraíba haviam nomeado um Comandante em Chefe e marchavam para o Ceará”. Acreditaram que esse era o meio que restava para a sustentação da causa da pátria e a salvação das garras do tirano. Acompanhados de um guia que lhes foi dado por Carneiro da Cunha pela meia noite adentraram nas ruas de Goiana que estavam inteiramente desertas. “O escuro da noite e o medonho silêncio em que estava sepultada a vila, os uivos dos cães, tudo cooperou para nos encher de terror”, confessou Frei Caneca em seus relatos. Ali esperavam encontrar as tropas referidas. Após avaliações diversas tomaram a estrada da Soledade e depois de andarem o restante da noite, deram-se com a retaguarda da força, duas léguas acima da vila.