O jornal mais antigo em circulação do Agreste Setentrional de Pernambuco

Domingo, 14 de Junho de 2026 05:52

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  • Conjuntura Política: o Surubim que nos envergonha

    É impossível descer a rua que une o Banco do Nordeste à Escola Técnica pelas calçadas! (Foto: Fernando Guerra)

    Reflexões direcionadas ao novo prefeito ou prefeita da cidade

    Quando procuramos enaltecer o progresso de Surubim, diante de seu crescimento urbano, esbarramos numa série de problemas que aumentam numa progressão bem maior e nos nivelam cada vez mais com os centros urbanos do terceiro mundo.

    O pior de tudo é que parece serem invisíveis aos nossos administradores. Sai prefeito, entra prefeito e os problemas não param de crescer. Ocupo-me de nominá-los neste momento em face da proximidade das eleições municipais. Queira Deus que algum deles venha a ler este Conjuntura Política e que possa ficar alerta para a gravidade da questão.

    A existência desse fosso que se aprofunda a passos largos diante de nossos olhos, nos afasta cada vez mais das cidades civilizadas do mundo.

    O que enumero como o principal deles são os desmandos das calçadas que transformaram a cidade de Surubim numa cidade inimiga da terceira idade. Uma vergonha!

    Se o Poder Executivo hoje pouco se incomoda ou se em gestões anteriores nada fez contra a invasão das calçadas que é um bem público, caberia ao Poder Legislativo cumprir o seu papel de criar leis e fazê-las serem respeitadas e, na ausência desses dois poderes, deveria o Ministério Público dar os ares de sua existência.

    Quando circulamos pelo centro de Surubim, sobe-nos uma dessas decepções ao ter que caminhar em calçadas construídas em pedra lascão, à imagem e semelhança dos currais de gado.

    Não podemos nos calar!

    Quantas vezes somos obrigados a descê-las para caminhar pelo asfalto porque estão cheias de obstáculos ou porque foram completamente ocupadas por alguma construção, ou porque estão cheias de produtos à venda, ou pelas suas inclinações absurdas que afetam os que têm problemas nos joelhos?

    Juntemos a esse longo repertório os buracos que se tem de pular. Some-se as entradas para as garagens, com rampas construídas como fez exemplarmente um proprietário de uma residência contígua ao prédio da Prefeitura de Surubim sem sequer ter sua construção suspensa pelos fiscais do município e o caos está completo.

    É impossível descer a rua que une o Banco do Nordeste à Escola Técnica pelas calçadas! Lançamos esse desafio. Mas os absurdos estão disseminados por todo o município. O proprietário de uma residência na Lagoa da Vaca cercou completamente a calçada de sua casa. Tragicômico.

    Calçadas impedem a passagem de cadeirantes que são obrigados a transitar pela rua disputando espaço com veículos (Foto: Fernando Guerra)

    Por onde quer que se vá constatamos que os passeios públicos são uma terra sem governo e sem lei. Se os problemas com as calçadas nos afetam e se transformam num purgatório para a população que anda a pé, para os cadeirantes que são impedidos de as utilizarem, essa via de circulação direcionada para os pedestres são um verdadeiro inferno. Eles são jogados para as ruas onde disputam espaço com os automóveis.

    Nós queremos viver numa cidade que nos trata bem, que acolhe seus filhos quando chegam à terceira idade, que cuida de seus cadeirantes com respeito!

    Esse é um apelo que o Correio do Agreste dirige ao candidato que se eleger nas próximas eleições.

  • Homem é assassinado no Loteamento Marista em Surubim

    Na noite deste domingo (29), um homem foi assassinado com disparos de arma de fogo no Loteamento Marista, em Surubim. O crime aconteceu por volta das 18h30 e teve como vítima o gari José Andrade de Lima, de 48 anos.

    Testemunhas contaram que José Andrade estava caminhando pela localidade quando foi atingido pelos tiros. Ele morreu no local. Não há informações até agora sobre a autoria e motivação do crime. Ainda segundo informações de populares, a vítima morava no Sítio Pilões e já tinha passagem pela polícia. Este é o 13.° homicídio do ano registrado no município.

  • Na data de hoje 200 anos atrás: Divisão Confederada é atacada em Couro Dantas, município de Riacho das Almas

    Continuamos com a publicação de textos do historiador Fernando Guerra extraídos do seu trabalho “O Agreste Setentrional e a Confederação do Equador”, na postagem de hoje, iremos falar sobre a passagem pelo povoado de Couro Dantas, no município de Riacho das Almas.

    Dia 30 de setembro de 1824

    Leito do Rio Capibaribe em foto registrada a partir da nova Couro Dantas no município de Riacho das Almas no dia 28 de setembro de 2024, observando-se a trajetória do rio formando um “S”. À sua margem direita existe uma formação granítica elevada de onde provavelmente se efetivou a emboscada que impôs perdas consideráveis aos confederados. Na parte superior da imagem vê-se a Barragem de Jucazinho à montante, com cerca de 11,3 % de sua capacidade de armazenamento d’água. (Foto: Robson Arruda)

    Após dormirem em Bateria, na manhã do dia 30 “levantando o acampamento e posta a divisão em marcha não seguiu aquele método que era racional e prudente para proteção da divisão, porquanto logo depois da guarda avançada comandada pelo capitão Antônio Carneiro Machado Rios, marchou o estado maior e depois deste o batalhão em uma maneira confusa e desordenada”, descreve Frei Caneca em seu diário de viagem.

     “Chegando a divisão a Couro Danta, légua e meia de distância, esqueceram-se todos de ser aquele ponto em que, segundo avisos, o inimigo pretendia tirar a desforra do Limoeiro, e assim o satisfizemos com nosso estrago e perda”.

    Na margem do Capibaribe, por onde deveriam prosseguir viagem, “o caminho era estreito, ficando um despenhadeiro para o rio, cuja descida além de ser íngreme e rápida estava coberta de arvoredo e à esquerda (margem direita do rio) corria um lombo de terra da altura de cinco braças (…) com umas trincheiras naturais de pedregulho e este trânsito teria de extensão bem suas trinta braças”.

    A divisão em marcha não seguira o método que era racional e prudente para sua segurança precavendo-se contra grupos armados que iam adiante provocando emboscadas. O Frei Jerônimo de São José, o mesmo personagem que fora rechaçado em Limoeiro, reorganizou-se e atacou as forças liberais impondo-lhes perdas consideráveis em Couro Danta, hoje Couro Dantas, cuja margem esquerda do rio pertence ao município de Frei Miguelinho e sua margem direita ao município de Riacho das Almas.

     “A guarda avançada adiantara-se e quando foi querer deixar atrás o lugar do perigo, rompeu o fogo inimigo na frente, nos lados e no centro”. Nessa investida ficaram vários mortos entre os patriotas.

    “João Cândido que por sua desgraça ia também desordenadamente diante da guarda avançada, recebeu uma descarga da trincheira da frente e caiu imediatamente morto, caindo também ferido o capitão Carneiro, com três tiros de chumbo e palanquetas, (1) sem poder se levantar. O governador ferido de chumbo e não podendo sustentar nas rédeas do cavalo espantado, caiu pela ribeira abaixo entre os inimigos que ocupados em dar descargas para cima não o viraram ou o reservaram para depois. João Soares Lisboa que ia igualmente depois do governador das armas, ao apear-se do cavalo para fugir do perigo foi ferido d’uma palanqueta no vazio direito que lhe ficou sobre o umbigo, com outra em um braço. Morreram logo um soldado e pouco depois o valente Manoel de Carvalho que caiu e foi dizendo: Adeus minha pátria! Saíram feridos vinte dos quais morreram depois alguns”.

    “João Soares Lisboa uma das pessoas cuja falta era mais sensível, logo que foi ferido deu os mais claros indícios de não sobreviver a esse desastre; veio a morrer no dia seguinte trinta e duas a trinta e três horas depois de ferido. Português de nascimento era brasileiro por afeição. Decidiu-se pela liberdade do Brasil e por esta se dedicou a escrever o Correio do Rio de Janeiro único periódico do Rio dito pelos franceses. Pelo periódico da oposição pela sua decisão em favor da liberdade foi degredado para Buenos Aires e depois pela intriga dos Andrades ficou oito meses preso no Rio de Janeiro para ser degredado por oito anos, saindo da prisão pela dissolução da assembleia, por um perdão dado pelo Imperador e se passou a Pernambuco onde trabalhou quanto esteve em seu poder para sustentar a liberdade das províncias do Norte contra o despotismo do Rio de Janeiro. E para se entender melhor o plano da tirania escreveu O Desengano dos Brasileiros”.

    Foi enterrado no último dia do mês de setembro no álveo do Capibaribe onde o manto das águas da represa do Jucazinho lhe cobre os restos mortais e lhe dão o sossego da eternidade.

    Após essa “primeira perturbação e muitas desgraças deitaram-se linhas pelo rio e ribanceiras e batendo-os ainda se mataram alguns calhambolas”. (2)

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    1-Palanquetas eram projéteis compostos por duas esferas ligadas por uma corrente ou barra de ferro.

    2-Calhambola era uma denominação usada para os escravos fugidos e que passou a ser atribuído de forma pejorativa para designar os que emboscavam as forças confederadas.

    Acompanhe mais detalhes neste vídeo produzido por Robson Arruda com locução de Alan Lucena.

  • Na data de hoje 200 anos atrás: a passagem de Frei Caneca por Chéus e Bateria, na zona rural de Surubim

    Na continuidade da publicação de textos do historiador Fernando Guerra extraídos do seu trabalho “O Agreste Setentrional e a Confederação do Equador”, na postagem de hoje, iremos falar sobre a passagem de Frei Caneca e demais integrantes da Divisão da Confederação do Equador por Chéus e Bateria, na zona rural de Surubim.

    29 de setembro

    SURUBIM

    Barragem do Jucazinho em 20 de dezembro de 2023, com aproximadamente 10% de sua capacidade de armazenamento d’água. Construída entre os municípios de Surubim e Cumaru é a maior represa de todo o Agreste pernambucano. Sua construção encobriu parte considerável do antigo caminho por onde as tropas confederadas atravessaram, em 1824. (Foto : Luís Carlos Mota)

    Pela manhã levantaram acampamento e para continuar a marcha a divisão retornou à margem transitável do Capibaribe em seu lado esquerdo no atual município de Surubim.

    Por esse tempo não se tinha conhecimento de qualquer início de povoação em torno da atual sede do município. Muito embora, seu perímetro situado ao sul já era conhecido desde o século XVII. Esse percurso que acompanha a ribeira do Capibaribe, o mais pernambucano de todos os rios que compõem as bacias hidrográficas do estado, certamente, na época, era dos mais usados caminhos das boiadas trazidas dos sertões para o litoral, por onde aventureiros, tangerinos, boiadeiros e vaqueiros, transitavam entre o sertão e o litoral.

    Ao passarem pelo lugar chamado Xéos (Chéus) foram procurados por Carlos Leitão residente em Bataria (Bateria) que abandonara sua casa “por ser perseguido pelos calhambolas que depois de lhe matarem um filho destruíram uma propriedade. Ele nos fez cumprimentos e nos deu todas as informações dos trabalhos dos inimigos e que este nos podia atacar em Couro Danta”.

    Sobre Chéus, hoje, distrito de Surubim, constata-se que em seu casario nada se preservou do passado, enquanto Bateria e Couro Dantas, todas as suas construções ribeirinhas foram cobertas pelas águas da represa do Jucazinho.

    Foram jantar em Bataria (Bateria) légua e meia de jornada adiante, ainda no atual município de Surubim.

    Ao chegarem nas proximidades de Bateria, “pela ruindade dos caminhos quebrou-se a carreta de calibre 6 e não havendo meios de a conduzir, foi desamparada depois de se haver encravada e enterrada”. Como não se teve notícias posteriores sobre a recuperação dessa peça de artilharia ligeira, de grande mobilidade, é possível que esteja soterrada às margens do Capibaribe ou engolida pela represa do Jucazinho. Certamente era um canhão de fácil transporte, de tiro rápido e de grande alcance, montado em carreta transportada por cavalo(s).

     

     

     

     

     

     

  • Na data de hoje 200 anos atrás: Divisão da Confederação do Equador chega em Surubim e Cumaru

    Na continuidade da publicação de textos do historiador Fernando Guerra extraídos do seu trabalho “O Agreste Setentrional e a Confederação do Equador”, na postagem de hoje, iremos falar sobre a chegada da Divisão da Confederação do Equador nos atuais municípios de  Surubim e Cumaru.

    SURUBIM

    Ponte sobre o Rio Cai-Aí separando os municípios de Salgadinho e Surubim. Em primeiro plano, pequeno lago formado pelo Rio Capibaribe. (Foto: Fernando Guerra)

    Depois de passarem pelo Espinho Preto, Canafístula e Pedra Tapada, no dia 28 de setembro de 1824, a Divisão da Confederação do Equador atravessou o leito seco do Rio Cai-Aí, principal tributário do Capibaribe pela sua margem esquerda, adentrando terras hoje pertencentes ao município de Surubim.

    Como se viu, Caneca não fez nenhuma referência a Salgadinho hoje município emancipado, cidade entre Pedra Tapada e Malhadinha, às margens do Capibaribe.

    CUMARU

    Capela de Malhadinha no município de Cumaru. Foi construída em 1800, por José Francisco d’Arruda com a permissão do bispo D. Azeredo Coutinho. Nessa localidade as tropas pernoitaram em 28 de setembro de 1824. (Foto: Fernando Guerra)

    Mais adiante, passaram para o lado oposto do Capibaribe, com pouca água, decorrente do período da estiagem do verão, à sua margem direita e foram jantar em Malhadinha, município de Cumaru que “é uma pequena povoação na borda esquerda do Capibaribe (considerando-se o fluxo desse rio, está à sua margem direita) com uma pequena igreja cuja architetura e das casas é a commum em todos os matos. A maior parte das casas são de taipas e mal construídas (sic) ”. Nesse local passaram o restante do dia e pernoitaram.

  • Veja o calendário de abastecimento de água para outubro em Surubim e cidades vizinhas

    Confira o cronograma de abastecimento de água da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) para as cidades da região no mês de outubro. Estão disponíveis as datas para os municípios de Surubim, Santa Maria do Cambucá, Vertente do Lério e Casinhas, que pertencem à Gerência Regional do Alto Capibaribe. No calendário também estão incluídos os distritos de Lagoa de João Carlos (Frei Miguelinho), Pau Santo (Santa Maria do Cambucá) e Tambor (Vertente do Lério).

    Neste modelo de cronograma divulgado pela Compesa, para o leitor identificar quais serão os dias que o seu bairro ou comunidade receberão água, é preciso verificar o número da área que a localidade está inserida e em seguida ver os dias no calendário. Acesse clicando aqui.

  • Na data de hoje 200 anos atrás: divisão confederada chega ao povoado de Pedra Tapada em Passira

    Capela do povoado de Pedra Tapada, em Passira, local onde a divisão confederada pernoitou em 27 de setembro de 1824 (Foto: Fernando Guerra)

    Continuamos com a publicação de textos do historiador Fernando Guerra extraídos do seu trabalho “O Agreste Setentrional e a Confederação do Equador”, na postagem de hoje, iremos falar sobre a passagem pelo povoado de Pedra Tapada, em Passira.

    PASSIRA

    Dia 27 de setembro de 1824

    Em 27 de setembro chegaram em “Pedra Tapada que é um pequeno arraial constante de poucas casas e uma pequena igreja”, no atual município de Passira, onde pernoitaram.

     “Quando a divisão ia em marcha recebemos um ofício de José Francisco de Arruda, comandante da força de Malhadinha, datado do 26 desse mês, de Espinho Preto requerendo que depusessem as armas e oferecendo proteção do Pedroso. Em resposta, Arruda foi admoestado que era puerilidade oferecer proteção de Pedroso à uma divisão que tinha jurado acabar no campo de batalha ou sustentar a liberdade da pátria e ela faria todo o estrago que pudesse se acaso recebesse a mais pequena oposição. Finalizou-se a correspondência com o protesto que fez o Arruda de consentir que passássemos em paz: e assim sucedeu”.

    Esse José Francisco d’Arruda era português que enriquecera com o cultivo do algodão e fora vereador em Limoeiro onde residia. Foi preso na Revolução Pernambucana de 1817, deportado para Salvador onde foi humilhado nas masmorras da capital baiana juntamente com os heróis pernambucanos entre eles Frei Caneca. Desta vez encontrava-se em lado oposto aos pernambucanos que se opunham ao absolutismo imperial. Ele foi o construtor da capela de Malhadinha em 1800, com a permissão do bispo Azeredo Coutinho e o mais antigo proprietário da Casa Grande da Fazenda Cachoeira do Taépe que se conhece. É possível que tivesse a posse de parte considerável do que fora a sesmaria de Bartolomeu Gomes Borba acompanhando o Capibaribe desde Malhadinha até Bateria.

    Quanto ao Pedroso, tratava-se do coronel Pedro da Silva Pedroso que também fora preso na Revolução Pernambucana de 1817, passou pelas masmorras baianas, tendo sido posteriormente anistiado e em 1822 era governador das armas, comandando as tropas do governo imperial em Pernambuco. Quando naqueles momentos de carceragem começaram a aparecer os primeiros livros entre os prisioneiros, assim como ”papel, tintas e pena”, todos queriam aprender alguma coisa para aproveitar o tempo de ócio. Quando a “habitação das trevas transformou-se em asilo de luz”, Frei Caneca ensinou geometria e cálculo, Padre Muniz, lógica e até mesmo Pedro da Silva Pedroso ensinou duas vezes aritmética e álgebra.