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Quarta-Feira, 1 de Abril de 2026 09:39

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  • Conjuntura Política: Estratégias de Campanha 1 – o modus operandi do PSB nas eleições de Surubim

    Em 2016, o então deputado federal Danilo Cabral acusou em vídeo e em entrevistas de rádio, adversários do PSB de terem quebrado uma tubulação para impedir que a água da barragem de Siriji chegasse a Surubim (Foto: Reprodução/ Blog do Finfa)

    Fernando F. Guerra 

    Concluindo alguns assuntos relativos ao modus operandi do PSB nas eleições de Surubim, abordamos suas estratégias de campanha às vésperas do pleito. Algumas delas foram desmascaradas depois. Exemplificamos a acusação de que seus adversários haviam quebrado as tubulações que trariam água do Siriji para resolver a falta d’água nas torneiras da nossa população, a poucos dias da eleição municipal de 2016.

    O momento era de crise hídrica.

    Soube-se depois que essa artimanha foi uma farsa. O pior é que a encanação do Siriji se transformou num grande elefante branco e hoje não tem mais serventia.

    Outras têm se repetido, ninguém tem bola de cristal para suas confirmações, mas a coincidência de fatos nos deixa intrigados. Em último caso, recomenda-se um banho de sal grosso a cada vez que se armarem o circo para novas caminhadas eleitorais.

    Reportemo-nos a campanhas passadas; numa delas, em 2012, Véia de Aprígio teve seu carro atingido por balas no percurso entre Limoeiro e Vitória de Santo Antão. Na campanha deste ano, o filho dela foi alvo de um atentado a balas em circunstâncias semelhantes e foi eleito vereador com ampla votação.

    Noutra, às vésperas do pleito de 2016, Ana Célia caiu num fosso, deixou de participar dos comícios e não teve dificuldades para vencer a eleição.

    É claro que os possíveis atentados a balas não partiram da cúpula da oposição como se quis insinuar. Seria a mesma coisa que os dirigentes de agremiações de futebol, em jogos de seus times, mandassem atirar pedras no campo em partidas de seus clubes realizadas “em casa”. Obviamente seriam punidos com perdas de mando de campo. Isso é elementar.

    Querer atribuir ao candidato adversário esses desmandos é apostar na ingenuidade da população.

    Sabemos que uma comoção pública às vésperas do pleito pode mudar o resultado de uma eleição e partidos políticos quando descobrem que estão perdidos valem-se desse expediente. Atentados aos candidatos ou a parentes próximos têm se tornado muito frequentes. Acontece que cada vez mais se acredita menos na veracidade dessas tentativas de crimes. Não entendam que estamos dizendo que esses atentados foram armações, mas, sim que o eleitorado tem perdido a crença na veracidade desses possíveis crimes.

    Complementando nossas considerações sobre o pleito de 2024, nos deteremos um pouco sobre a tentativa de influenciar os eleitores com as pesquisas de opinião pública, massivamente veiculadas às vésperas desta eleição para prefeito no município de Surubim.

    (Continuamos na próxima edição desta Conjuntura Política)

  • Conjuntura Política: algumas considerações sobre o pleito – PSB tropeça nos próprios erros

    Prefeita Ana Célia apresentou oficialmente durante convenção a vereadora Véia de Aprígio como candidata à sua sucessão (Foto: Reprodução/ Divulgação)

    Fernando F. Guerra

    Já faz tempo que o PSB surubinense vem solapando a confiança de seu eleitorado. Assim foi com a indicação do deputado Vinícius Labanca que após eleito não botou os pés na cidade nem pra pagar promessas. Depois apresentou o filho de Zé Augusto, hoje deputado estadual, Rodrigo Farias, mas, sem brilho, numa época carente de lideranças.

    Isso se chama desperdício, gastar pólvora à toa.

     Nilton Mota Filho esteve como Secretário de Agricultura do Estado em governo anterior e o resultado é que nada fez em sua terra. Até mesmo a ADAGRO, sob a sua administração, teve a sede demolida e neste momento funciona em espaço inadequado tendo que pagar aluguel. Daí ressalta o nome de Danilo Cabral a quem se atribuem duas obras importantes que são a ETE e a sede do DETRAN no entanto, pertencem ao período de Eduardo Campos. Ele, atualmente é o Superintendente da SUDENE mas ninguém acredita que carreará para o município indústrias ou grandes benefícios que seu cargo poderia proporcionar. É dele a única esperança na salvação da lavoura da família Farias no município. Fora disso, o grupo mergulhará no esquecimento, podendo ressurgir na eleição para governador de João Campos.

    No pleito deste ano o PSB local não levou a sério a noção de engenharia política e perdeu a eleição!

    A indicação de um candidato à chapa majoritária depende de uma análise conjuntural e não pode se ater a um único referencial. Algo muito importante é saber que a contemplação do próprio umbigo, que se pode traduzir como narcisismo partidário, induz a erros primários. Os Farias, leia-se o PSB, ao apresentarem Véia de Aprígio como a sua candidata, partiram do princípio de sua fidelidade incondicional à família. É bom lembrar que a sigla neste caso é algo circunstancial, momentâneo. Caíram no mesmo erro do coronel Sebastião Rufino, em Bom Jardim, que indicou para prefeito na sua terra, nada mais nada menos que um personagem de sua absoluta confiança: Zé do Coronel. A liderança de Rufino desmoronou na terra dos paus d’arco.

    Talvez outras avaliações pudessem ter salvaguardado o poder político peesssebista surubinense. Candidatos que do meio da campanha para seu final viessem a empolgar o eleitorado. Nomes como Penélope ou mesmo o vereador Bomba, este, sobretudo depois da inauguração da nova Câmara.

    No caso, Véia de Aprígio é o outro lado de Ana Célia.  Sem traquejo social, cultural e mesmo político, sem oratória, sem carisma, não poderia prosperar, não teve chances de ganhar a classe média da cidade.

    Deu no que deu. Agora é juntar os cacos. Portanto, abriram-se as portas para Chaparral que, parece, veio pra ficar.

  • Chaparral e Ana Paula vencem eleição acirrada; na Câmara Municipal apenas quatro vereadores foram reeleitos

    Chaparral e a vice-prefeita eleita Ana Paula desbancaram o PSB que estava há oito anos no poder em Surubim (Foto: Divulgação/ Agência Plataforma)

    Em mais uma eleição acirrada, o novo prefeito de Surubim, o deputado estadual Cléber Chaparral (UB) foi eleito neste domingo (6), com uma diferença de 858 votos ou 2,18% para a segunda colocada, a vereadora Véia de Aprígio (PSB), apoiada pela prefeita Ana Célia (PSB). Em terceiro lugar ficou o ex-prefeito Flávio Nóbrega (SD), que contrariando as expectativas, não chegou nem a cinco mil votos, recebendo 2.798 sufrágios. Denivaldo Pereira (PL), obteve 309 votos.

    Poucas horas após ser eleito, Chaparral falou à população na Rádio Integração FM. No seu pronunciamento classificou a campanha eleitoral realizada pelos adversários como “nojenta”. “Foram muitas fake news. Me acusaram de tudo que eu não era, divulgaram pesquisas falsas enganando até os eleitores deles”, desabafou. Sobre o mandato conquistado, afirmou que vai fazer mais do que prometeu na campanha.

    O novo prefeito conseguiu eleger cinco vereadores dos partidos que lhe apoiaram. A oposição, oito parlamentares.

    O legislativo passou por uma renovação de 70% das cadeiras. Da atual composição da Câmara Municipal, apenas quatro vereadores foram reeleitos: Itamar (PSB), Bomba (PSB), Nailton do Jucá (PSB) e Dr. Vavá (SD). Vão ocupar as outras nove vagas: Neto de Véia (PSB), Murilo Barbosa (PP), Katiane da Saúde (PSB), Carlos Maurício (PSB), Júnior Amorim (UB), Micherlan (UB), Izaldo Andrade (PSDB), Kel de Almir (Podemos) e Ana Maria de Ivete do Sindicato (PT).

    O vereador mais votado este ano  foi Itamar,  com 2.233 votos. (Confira a votação de todos os candidatos clicando aqui).

    Eleições na região

    A grande surpresa do pleito foi a eleição do médico Histênio Sales (MDB) como prefeito de Vertente do Lério, tirando do poder o grupo comandado pela prima dele, Welita Sales.

    Em Frei Miguelinho, Lindonaldo da Farinha (PSB), venceu com uma das maiores diferenças já registradas no município. A cidade tem um histórico de eleições com menos de 400 votos “de frente”, mas agora o vencedor ganhou com 1.012 sufrágios a mais.

    Em Bom Jardim, o prefeito Janjão (UB) foi reeleito mas com um percentual abaixo do que apontavam as pesquisas. A diferença para a atual vice, Vânia de Miguel (PP), foi de 3.710 votos. Em 2020, ele venceu o então prefeito João Lira (PSD), por 6.006 votos.

    Na cidade de Casinhas,  a prefeita Juliana de Chaparral (UB) obteve uma diferença de 3.296 votos que supera a quantidade de sufrágios de Bruno Camêlo (Avante). Ela conquistou 6.364 votos enquanto o adversário foi votado por 3.068 pessoas.

    Das cidades vizinhas a Surubim a maior diferença em termos proporcionais aconteceu em Salgadinho. O candidato Jóia (PSDB) venceu a eleição com 73,75% dos votos válidos enquanto Dr. Ronaldo ficou com 26,25%, uma distância entre os dois de quase 50%, exatos 47,5% o que representa 2.821 votos. Naquele municipio, também ocorreu o mesmo que em Casinhas: a diferença foi maior do que a votação do segundo colocado. Jóia teve 4.380 votos enquanto Dr. Ronaldo conquistou a preferência de 1.559 eleitores.

    A eleição mais “apertada” da região foi em Santa Cecília (PB). O atual prefeito Marcílio Farias (PSB), venceu o ex-gestor Beto de Chico (UB) por apenas 31 votos. Não é a primeira vez que um placar desses ocorre no município. Em 2000, o candidato Teófilo venceu o então prefeito Antônio Gomes por 32 votos.

    Confira os resultados completos das cidades citadas acima clicando em cima do nome do município que está em negrito.

  • Na data de hoje 200 anos atrás: Frei Caneca e tropas da Confederação do Equador chegam ao Cariri paraibano

    Continuamos com a publicação de textos do historiador Fernando Guerra extraídos do seu trabalho “O Agreste Setentrional e a Confederação do Equador”, na postagem de hoje, iremos falar sobre a chegada da Divisão Confederada ao Estado da Paraíba.

    5 de outubro

    No dia 5 de outubro, Frei Caneca e as tropas da Confederação do Equador já haviam deixado para trás o Agreste Setentrional pernambucano e se encontravam no Riacho de Santo Antônio, em pleno Cariri paraibano. A região do Cariri do estado da Paraíba com baixa precipitação pluviométrica, tem seu bioma identificado com o semiárido mais seco nordestino. Enquanto o Cariri cearense assemelha-se à região de brejo com mais chuvas contrapondo-se entre si, como se faces diferentes de uma mesma moeda.

    Paisagem da zona rural de Riacho de Santo Antônio, no Cariri paraibano (Foto: Egberto Araújo/ Flickr)

    Sabe-se que o caminho acompanhando o vale do Capibaribe, desde 1738, constava de um Roteiro para o Sertão de Rodelas, inclusive com mensurações em léguas. Nesse cenário ocorreu parte de um dos mais dramáticos episódios da História nacional, tendo Frei Caneca, herói da Revolução Pernambucana em 1817 e mártir da Confederação do Equador, juntamente com a Divisão Constitucional do Equador, trilhado essa estrada em demanda do Ceará. De lá veio preso para ser fuzilado em Recife.                                                                                                              A marcha confederada insere o Agreste Setentrional no mapa da História do Brasil por ter sido o cenário de um de seus mais dramáticos capítulos históricos, nos caminhos por onde atravessaram as tropas libertárias de 1824, motivo de honra e orgulho do povo pernambucano.

    As revelações dessa campanha militar cujo desfecho é uma chaga aberta na memória nacional ainda dói no peito dos pernambucanos: tanto pelos requintes da traição da qual foram vítimas os líderes confederados, quanto pela mutilação que sofreu a província de Pernambuco ao perder a Comarca do São Francisco. Como punição imposta pelo Imperador Pedro I, a província que possuía uma área de 250 mil km² passou a ter os atuais 93.311 km².

    Passaram, portanto, D. Pedro I e D. João VI a ser os dois maiores algozes da Província de Pernambuco. Se D. João VI como punição pela Revolução Pernambucana de 1817 desmembrou a Província de Alagoas de nosso estado. D. Pedro I completa-o seguindo o mesmo caminho com a Província do São Francisco.

  • Sesc promove oficina de técnicas de animação em stop motion para crianças, em Surubim

    Atividade do Circuito Sesc de Formação Audiovisual acontece de 8 a 11 de outubro, na unidade, com Chia Beloto e Marila Cantuária, do estúdio Produções Ordinária (Foto: Ilustração da Produções Ordinária / reprodução Instagram)

    Usar a imaginação para realizar produções a partir de modelagens e fotografias é a dinâmica da oficina “Stop Massa” que o Sesc Ler Surubim promove no período de 8 a 11 de outubro. Voltada para crianças de 8 a 12 anos, a formação será conduzida por Chia Beloto e Marila Cantuária, professoras do estúdio Produções Ordinária, do Recife. As inscrições estão abertas e podem ser feitas na Central de Relacionamento da unidade.

    A proposta da oficina é fazer com que as crianças possam produzir vídeos animados, a partir do stop motion e temas livres. Para conhecerem os fundamentos básicos deste tipo de animação, elas vão utilizar materiais como massinha de modelar e papel. Com isso, vão aprender as diversas possibilidades que a técnica de animação tem para representar, em movimento, os elementos imaginados por seus criadores.

    Além disso, vão aprender noções de fotografia, iluminação, produção dos cenários e personagens, sequências das cenas e finalização. As aulas serão sempre pela manhã, das 7h30 às 11h30. As inscrições custam R$ 46, mas os dependentes dos trabalhadores do comércio, com a Credencial Sesc em dia, têm desconto e pagam R$ 23.

    Produções Ordinária – O estúdio de animação de Chia Beloto e Marila Catuária tem ampla trajetória no mercado do stop motion. É especializado na técnica “cut out analógico”, tendo criado uma estética e identidade próprias, através dos recortes. Realizou curtas, interprogramas, vinhetas, série para TV e ministrou diversos formatos de oficinas. Atualmente, trabalha no primeiro longa-metragem que também vai utilizar a mesma técnica.

    Serviço – Circuito Sesc de Formação Audiovisual – Oficina Stop Massa
    Facilitadoras: Chia Beloto e Marila Cantuária (Estúdio Produções Ordinária)
    Data: de 8 a 11 de outubro
    Horário: das 7h30 às 11h30
    Local: Sesc Ler Surubim – Rua Frei Ibiapina, s/n, São José
    Inscrições: Central de Relacionamento da unidade
    Taxa: R$ 23 (dependentes dos trabalhadores do comércio) e R$ 46 (público geral)
    Informações: (81) 99805-0067

  • Conjuntura Política: o Surubim que nos envergonha – II

    Em Recife nenhum morador tem poderes para cortar árvores em calçadas ou nas praças. Em Surubim pode! Aqui tudo pode! (Foto: Fernando Guerra)

    Fernando F. Guerra

    Temos a sensação de que esta será mais outra pregação no deserto. Entretanto, particularmente, sou da terra, resido por aqui e pelo que tudo indica fixarei residência definitiva na morada dos mortos de nossa cidade muitos anos lá na frente. Portanto, com direitos adquiridos, ficaremos soltando palavras ao vento, em busca de um cristão que porventura ajude a colocar Surubim nos eixos de uma cidade que adote condições mínimas de civilidade.

    Há um certo deslumbramento com o nosso crescimento urbano, com os espaços ocupados no contexto econômico regional, sua posição de liderança como polo de confecções, de serviços e comércio do Agreste Setentrional pernambucano. Uma verdadeira bobagem, pois não se apercebem os seus habitantes que a cada dia se aprofunda o fosso entre Surubim e outros centros civilizados do mundo. Uma vergonha.

    No Conjuntura Política anterior comentamos a questão das calçadas, neste abordaremos três outros aspectos que numa cidade de primeiro mundo inexistem. Além das interferências nas calçadas, a perturbação provocada pelo barulho, sobretudo dos carros de som, o lixo pelas ruas e praças e o desrespeito às árvores urbanas.

    O conjunto desses malefícios, certamente está transformando nossa terra numa cidade grotesca, impraticável para se viver e inimiga dos seus cidadãos que buscam um lugar à distância do tumulto das cidades grandes deste terceiro mundo.

    Ainda sobre as calçadas, outro dia observamos as dificuldades de uma senhora com sapatos de salto alto para caminhar sobre “pedras rachão” dessas que são utilizadas para calçar currais de gado e que passaram a ser adotadas pelos proprietários de imóveis urbanos. Calçadas de pedra rachão? Não vi ainda pelas cidades por onde andamos, mas em Surubim virou moda. Até educandários adotaram usá-las, criando desconforto, dificultando a caminhada das pessoas.

    Quanto ao barulho que se faz em nossas ruas com uma procissão de carros de som circulando pelo centro da cidade, isso é inconcebível em qualquer cidade europeia, lá, se tem completo respeito aos seus moradores. Que o digam as centenas de surubinenses que têm viajado pelo mundo! Mas, mesmo em nosso país, não se vê nada parecido nem no Rio, nem em São Paulo, nem em Brasília e até mesmo em Recife. Mas, aqui, é um Deus nos acuda!

    Outra coisa, o lixo! O poder público não dá conta de fazer com competência a limpeza de nossos logradouros, e, por cima a população não ajuda. A nossa praça principal é um atestado de nosso atraso, da nossa falta de educação, o lixo ali é incontrolável. Os sacos plásticos dão voos rasantes sobre nossas cabeças quando o vento se manifesta.

    Há cerca de dois meses estivemos em Gravatá do Ibiapina, e nos surpreendemos com a limpeza urbana. Não se sabe se ainda continuam conservando seus espaços públicos com aquele esmero que nos surpreendeu.

    Seja lá como for, sem limpeza urbana não se pode falar em lugar desenvolvido, civilizado, é como gente que não toma banho que anda suja perambulando pelas ruas.

    Mas vamos às árvores!

    Mutilar as árvores parece ser uma dessas deformidades culturais. Outro dia um funcionário de um Parque local recebeu uma advertência após ter feito à sua revelia uma poda drástica em duas árvores na calçada. Numa segunda investida terá sua demissão efetivada conforme documentação por escrito. Esse tratamento deveria ser adotado, a municipalidade deveria punir quem causasse danos às árvores de nossas praças, de nossas avenidas, de nossas ruas. Nossa Câmara de Vereadores tão pródiga em dar nomes de ruas e conceder votos de aplausos, não se deu conta de que pode criar leis para coibir os depredadores dessas criaturas indefesas e que só nos fazem o bem. Deveria estabelecer multas para quem destruísse a natureza. Em Recife nenhum morador tem poderes para cortar árvores em calçadas ou nas praças. Em Surubim pode! Aqui tudo pode!

    Salve-se quem puder!

  • Na data de hoje 200 anos atrás: tropas confederadas levantam acampamento e seguem para Vertentes e Taquaritinga

    Continuamos com a publicação de textos do historiador Fernando Guerra extraídos do seu trabalho “O Agreste Setentrional e a Confederação do Equador”, na postagem de hoje, iremos falar sobre a passagem pelos municípios de Vertentes e Taquaritinga.

    Dias 3 e 4 de outubro

    VERTENTES e TAQUARITINGA

    No dia 3 de outubro de 1824, as tropas confederadas levantaram acampamento e deixaram a ribeira do Capibaribe. Em lugar de tomarem a estrada geral que se encaminhava para Brejo da Madre de Deus, seguiram por um caminho margeante ao Riacho Topada “que rodeia a serra de Taquaritinga para Jaburu” e continua até o estado da Paraíba.  Esse curso d’água intermitente, a partir de sua confluência com o Capibaribe divide os municípios de Vertentes e Frei Miguelinho e subindo às suas nascentes passa ao lado do Jaburu já em Taquaritinga.

    A localidade Jaburu depois povoado de Gravatá de Jaburu teve em 1860 a presença marcante do Padre Ibiapina que implantou aí a sua primeira Casa de Caridade de um total de 22 construídas em várias províncias do Nordeste. Em sua homenagem o local pertencente ao município de Taquaritinga passou a se denominar Gravatá de Ibiapina.

    Entorno da serra de Taquaritinga. Em estrada ainda existente, de um lado a serra e do outro a bacia hidrográfica do riacho Topada, foi por esse caminho que provavelmente as tropas seguiram para o Jaburu. (Foto: Fernando Guerra)

    Quando chegaram à encosta da referida serra, Caneca deve a ter subido para contemplar a paisagem a se descortinar à sua frente. Um fenômeno da natureza ali se manifesta. Toda a parte da serra que se volta para o leste, assim como o seu topo, tem uma flora quase sempre verdejante, com árvores portentosas, não sabemos, entretanto, se as espécies vegetais que ali ocorrem correspondem às do bioma da Mata Atlântica. De lá, contemplando a planície que avistava descreveu-a: “o céu é lindíssimo, o terreno plano e povoado dum arvoredo (…) respira a estação da primavera”. Do alto da serra, onde hoje se situa a cidade de Taquaritinga, ele deixou escrito a última das impressões da região, quando se deparou pela primeira vez com uma carnaubeira, afirmando tratar-se de “uma espécie de palmeira de muito uso no sertão. Della fazem cumieiras, frexais, caibros e ripas. Das palhas tecem-se esteiras e cordas para diversos usos. Das raízes além de serem uma espécie de salsa anti-venerea, se sustentam os porcos e outros animais. Das folhas se tiram cera e das bruscas, onde se acham os fructos … usam para aquecer fornos” (sic).

    Contrapondo-se à parte da serra que se espelha no leste, no lado do poente, assim como no caminho que “rodeia a serra” predominam uma vegetação arbustiva típica dos sertões, assim como plantas xerófitas em abundância tais como xique-xiques, alastrados, mandacarus, coroas de frade e bromeliáceas como a macambira e gravatás que denominaram a localidade.