Memória: um novo Natal bateu à nossa porta
04/01/2026
Em palco montado no local, a Banda Capiba retomou suas apresentações sinalizando para novos rumos da Associação Cultural Capiba. Essa cantata realizada na noite de 19 de dezembro lembrou também os 30 anos de falecimento de Pedro França, importante empresário e músico surubinense. (Foto: Reprodução/ Divulgação)
Fernando Guerra
Algumas perdas nunca se esquecem, enumero entre elas, as festividades de Natal e Ano Novo nas ruas centrais de Surubim que teimam em não sair da nossa memória. Quem foi criança nas décadas de 50 e 60 do século passado lembra-se muito bem do que representavam esses dois momentos que eram as duas maiores festas do município.
A velha igreja Matriz de São José, imponente, era voltada para o oeste, onde o sol se põe, com duas praças abertas à sua frente, as de São José e a Dídimo Carneiro que a ignorância apelidou de Praça dos Cavalos.
O povo apinhava-se pelo centro da cidade onde os parques infantis dividiam espaço com os vendedores de alfenins, castanhas confeitadas embrulhadas em papel celofane geralmente de cor vermelha ou azul, confeitos em formas cônicas alongadas com adornos de papeis coloridos, bolos, pães, em bancos perfilados à margem das calçadas. Essas são imagens de um Surubim que alcançou a segunda metade do século XX com o que havia de mais marcante. Nessas noitadas a rapaziada saía de paletó e gravata, sempre com as melhores roupas, mas os tempos mudaram. Segui outros rumos e já não estava aqui quando as noites de Natal e Ano Novo se diluíram.
Quando tudo parecia perdido, neste final de ano de 2025, o povo retornou ao ar livre para festejar o Natal com direito a uma iluminação feérica e foguetório iluminando os céus no apagar das luzes do ano que se foi. Um milagre. A administração Cléber Chaparral investiu pesado no canteiro central do trevo e mudou tudo, transformou o local num ponto de convergência da população surubinense. Essa que nos parece ter sido a maior obra urbanística da prefeita Ana Célia foi o palco onde o novo prefeito resgatou uma tradição e merece os maiores aplausos.
A insistência equivocada em decoração com árvores de Natal, trenós e papais noeis, sem contar com os campos de neve em absolutamente nada nos remete para o verdadeiro sentido natalino. Pelo contrário, anuvia a maior festividade cristã que significa o renascer das esperanças dentro de um clima de espiritualidade, amor ao próximo e solidariedade humana.







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