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Terça-Feira, 2 de Junho de 2020 12:38

Conjuntura Política: o circo pegou fogo – 2

18/05/2020

Presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se dirige a jornalistas do lado de fora do Palácio do Planalto (Foto: Reprodução/ Estadão Conteúdo)

Por Fernando Guerra

Chegará o tempo em que falar de Bolsonaro será o mesmo que chutar cachorro morto, peço, portanto, desculpas aos nossos leitores por insistir nesse assunto e prenunciar um iminente final para esse governo.

Os pontos fortes dessa gestão são os militares, os saudosistas da ditadura que se borram quando ouvem falar em comunismo, os evangélicos fundamentalistas que se apoiam na teologia da prosperidade e os grandes proprietários rurais. É verdade que o nosso agronegócio tem ajudado nossa economia, mas com fortes ressalvas dos ambientalistas, dos indigenistas, dos ecólogos, entretanto, é uma luz no fim do túnel e devidamente equacionado, ajustado a uma política não predatória, poderá render bons frutos ao país.

Há de se ressaltar a existência de um contingente de patriotas que ingenuamente acreditaram num governo que iria acabar com a corrupção no país. Como estão vendo os próprios filhos do capitão envolvidos com milicianos e rachadinhas no legislativo, devem estar pensando duas vezes.

Temos exemplos recentes de enganos eleitorais como foi o caso de Fernando Collor que de uma hora para outra apareceu como o caçador de marajás e engabelou todo mundo elegendo-se para o mais alto cargo político do país. Essas carreiras meteóricas tem iludido muitos desavisados e resultam em situações deploráveis.

Contra Bolsonaro estão a classe artística, alvo primeiro de suas investidas, os jornalistas, constantemente desrespeitados, os democratas que veem em cada atitude sua uma afronta à liberdade e uma pavimentação ao golpe o que já não o fez porque o patrão Trump não o encorajou, as pessoas de bom senso, a intelectualidade nacional, os sindicatos rurais e agora, pasmem, a classe científica.

O episódio envolvendo Mandetta e o Teich os dois últimos Ministros da Saúde do país deixou isso às claras. Enquanto esses ministros pautavam suas ações no combate à pandemia provocada pelo covid-19 seguindo orientações científicas defendidas pela Organização Mundial de Saúde – OMS e no recolhimento das pessoas no chamado isolamento social, o presidente mantinha e continua mantendo uma postura inversa desmanchando à noite o que se construía durante o dia. Nunca se viu isso em toda a história do poder político municipal, estadual e nacional. Algo fora de qualquer raciocínio equilibrado. Somente uma pessoa destrambelhada poderia ter semelhante comportamento. O resultado? Uma catástrofe! Milhares de mortos pelo coronavírus mais que a própria China. Nesse caminhar o Brasil ocupará em breve a segunda colocação nessa estatística macabra.  A falta de uma orientação é a própria falta de um governo. O país está à deriva.

Em Surubim, nas décadas de 1940 e 1950 viveu um popular de quem se podia dizer que era a verdadeira personificação da ignorância. Em artigo anterior publicado no Correio do Agreste impresso, o ex-deputado federal Gonzaga Vasconcelos reportou-se ao mesmo cujo nome era Manoel Moço de quem pessoalmente já ouvira falar antes. Pois bem, pouco afeito à ciência, ele não acreditava de jeito nenhum em micróbios e não havia como demovê-lo dessa ideia. E para fechar a discussão, depois de muito tempo, ele abria a palma de sua mão e enfático arrematava: se existe micróbio mesmo, bote um aqui na minha mão que eu quero ver!

O nosso presidente não acredita em ciência e, não tenho dúvidas, é mais um Manoel Moço que teremos de engolir enquanto estiver no poder tripudiando sobre a inteligência nacional.

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