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Quarta-Feira, 21 de Abril de 2021 03:04

Iniciada Operação Papai Noel

19/12/2015

A principal arma que a Polícia Militar tem lançado mão para combater a violência é a criatividade, como forma de superar a falta de efetivo. Para poder participar da Operação Papai Noel, que a PM de Pernambuco deflagrou nos maiores centros de comércio do estado no período natalino, o 22º Batalhão, sediado em Surubim, está tendo que “se virar nos trinta” e a solução encontrada foi utilizar o pessoal administrativo para patrulhar, a pé, o centro comercial da cidade. Atualmente estão lotados no batalhão, que atende uma região composta por oito municípios, um efetivo total de 234 policiais, mas descontando os licenciados, o número cai para 173. Como o regime de trabalho da PM é de um dia de ação por três de folga, na realidade a unidade conta com um contingente de 44 policiais no trabalho diário. 15 deles atuam na área administrativa.

O comandante do batalhão, tenente coronel Marcos Aurélio da Silva reconhece que é pouco e credita as dificuldades à crise financeira que vem se abatendo sobre o setor público em todas as esferas, tanto na União, quanto nos estados e municípios Além da perda de efetivo, a falta de recursos também atinge a capacidade de locomoção da polícia. Segundo o comandante, a PM conta com três viaturas e três motos da Rocam para fazer o patrulhamento e atender às ocorrências policiais de Surubim. Apesar da escassez de pessoal, o coronel, que assumiu o comando do batalhão de Surubim em maio deste ano, considera que a PM vem conseguindo controlar o avanço da criminalidade na cidade. Ele disse que os homicídios, medidos pelo índice CVLI(crimes violentos letais intencionais) mantiveram-se praticamente estáveis entre 2014 e este ano. Enquanto no ano passado foram registrados no município 14 assassinatos, em 2015 os registros apontam a ocorrência de 16 mortes violentas. Destas 14 foram praticadas por armas de fogo. Já em relação aos números de furtos, roubos e assaltos a situação é mais preocupante. Entre 2014 e este ano o crescimento do índice CVP (crimes violentos contra a propriedade) em Surubim foi de 26%. Como a grande maioria dos assaltos é praticada por bandidos de fora da cidade, o coronel Marcos Aurélio apela para a colaboração da população para facilitar a ação da polícia. Segundo ele, quando é avisada sobre a movimentação de carros e, principalmente, de motos suspeitas, a PM tem como agir com mais eficiência, antecipando-se à ação dos assaltantes. “Já prendemos vários bandidos a partir de informações fornecidas por pessoas da comunidade”, disse o coronel. O comandante do 22º batalhão reconhece que atualmente a interação entre a polícia e a população de Surubim é fraca. Ele admite que a PM precisa se esforçar para conquistar a confiança e se tornar mais próxima da sociedade surubinense. Marcos Aurélio informou que está estruturando o setor de inteligência para obter melhores resultados nas investigações a partir de informações oferecidas pela população. Uma das soluções propostas pelo coronel é a criação de grupos de WhatsApp envolvendo taxistas e comerciantes para a troca de informações sobre a movimentação de pessoas suspeitas pela cidade. “Isso nos ajudaria muito para reverter essa onda de violência que tem preocupado a cidade”, disse o comandante da PM. Atualmente o número 190 está com deficiências e para suprir essa dificuldade a PM colocou à disposição um telefone fixo (36241940) e um celular (9 97617350) para receber denúncias da população. A corporação também tem um e-mail: denuncia22bpm@gmail.com e um perfil no Facebook; www.facebook.com/22bpmsurubim. Outra dificuldade encontrada pela polícia é a legisla- ção. O coronel Marcos Aurélio prefere não falar sobre o assunto, mas um policial lotado no batalhão de Surubim, que pediu para não ser identificado, comentou que as fianças fixadas nas delegacias são muito baixas, o que facilita a soltura de bandidos capturados pela PM. Ele também reclamou do paternalismo com que e Lei trata os menores infratores. O policial recordou o caso de um menor de 17 anos, de altíssima periculosidade, apreendido este mês em Bom Jardim. Especialista em assaltos à mão armada, ele vinha aterrorizando os moradores da região. Residente em Santa Cruz do Capibaribe, o menor assaltante foi beneficiado pela condição de ter menos de 18 anos e após sua apreensão foi encaminhado para a casa dos pais. “A PM está enxugando gelo”, disse o policial.

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