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Segunda-Feira, 27 de Setembro de 2021 02:05

Comemorações da emancipação continuam cultivando os mesmos equívocos históricos

07/09/2021

Efígie de touro da raça Indubrasil decora canteiro da Avenida Oscar Loureiro (Foto: Fernando Guerra)

Por Fernando Guerra

Neste dia 11 de setembro, o município de Surubim completa 93 anos de Emancipação Política. Suas ruas estão ornamentadas, a bandeira municipal tremula altiva no Trevo na entrada da cidade e haverá até, a realização de sua tradicional vaquejada desafiando a lei da gravidade, desculpem, desafiando o coronavirus, cuja disseminação faz-se, sobretudo pela proximidade das pessoas.

Já neste segundo ano consecutivo, os tradicionais desfiles das escolas pelas principais artérias da cidade não acontecem em respeito ao difícil momento que atravessamos com esta pandemia. 

Para reafirmar a nossa data magna, bandeirolas agitam-se nos postes, figuras de bois, cavalos e onças espalham-se pelas avenidas e praças. Para quem tem um mínimo de conhecimento da História de Surubim, acha risível que tanto desconhecimento seja entronado nos mais importantes espaços públicos. Acreditam os decoradores de nossas vias urbanas que estão se reportando ao boi Surubim quando espalham efígies de touros Indubrasil vermelho, com suas orelhas de abano e que têm como característica suas corcovas salientes. Por toda a Avenida Oscar Loureiro, porta de entrada da urbe surubinense, encontramos eles, tentando avivar a memória das pessoas, como a dizer-lhes que tudo começou com a morte do boi Surubim na fazenda de Lourenço Ramos da Costa.  

Ora, este editor fez circular entre alguns educadores e pessoas ligadas ao poder do município um livreto demonstrando com embasamento histórico como seria o boi que nominou a fazenda, depois povoação e hoje a próspera cidade de Surubim. Nada disso foi levado a sério excetuando-se a caracterização e adequação do boi que faz parte do espetáculo encenado pelo ótimo Balé Municipal que se reporta à fundação da cidade. 

A despeito de que nossas raízes mais profundas nos identificam com a região pecuária nordestina, há por toda parte um profundo desconhecimento das raças de gado e se mistura tudo. A escultura simbólica encimada em um pequeno monte às portas da cidade, que simboliza o boi Surubim atacado por uma onça, nos reporta a um touro híbrido, com a pelagem de um animal holandês e o cupim de um touro indiano. Até no brasão do município está lá um touro mocho, de raça nelore preto e branco. Tripudia-se a História e se reduz à insignificância as pesquisas já realizadas nas quais se deixa claro que os equívocos se multiplicam e ninguém está interessado em colocar essas coisas em ordem. Afinal, nós somos da terra de Chacrinha cuja máxima de que veio para confundir faz parte do cotidiano dos surubinenses. 

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