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Sábado, 11 de Julho de 2020 06:35

O Circo pegou fogo – 3: O Homem Que Queria Ser Rei

03/06/2020

Presidente da República, Jair Bolsonaro na entronização do imperador do Japão, em outubro de 2019 (Foto: José Dias/PR)

Conjuntura Política| Por Fernando Guerra

Todo santo dia é uma novidade, confesso que a pandemia e sua escalada galopante e esse fenômeno epidêmico, proporcionado pelo presidente Bolsonaro, que em outras circunstâncias levaria o país à guerra civil, têm me deixado com os nervos à flor da pele. Precisamos urgentemente de vacinas eficazes contra esses dois males.

Agora, quando busco escrever algumas linhas que traduzam um pouco a minha percepção do momento, tomei de empréstimo do escritor indo-britânico Rudyard Kipling o título deste artigo: O Homem Que Queria Ser Rei. Fico devendo por conta de tal apropriação a sua leitura que mereceu a indicação entre os 100 Contos Essenciais da Literatura Mundial divulgados pela revista Bravo em 2009.

Sinto náuseas quando vejo os vermes se articulando para corroer a nossa fragilíssima democracia. Observo com a mais completa indignação o empenho com que o nosso presidente tem se envolvido cotidianamente para afrontar os demais poderes em que se assentam o sistema democrático brasileiro. Sua vocação para a tirania é inquestionável. Sendo permanentemente açulado por uma corja de seguidores inconsequentes, que desfilam em passeatas, ostentando faixas que pedem a intervenção militar no Supremo Tribunal Federal ou o fechamento do Congresso. Os jornalistas que têm feito a cobertura do palácio vez por outra levam verdadeiros coices, gritos, reprimendas, que denunciam a mais completa falta de polimento e de mínima educação caseira do chefe máximo da nação, um verdadeiro absurdo. Esses não são modos de um presidente de República, nem de governador, nem de um prefeito, nem tampouco de um cavalariço.

A reunião ministerial do dia 22 de abril faz vergonha, ficará na história. Naquele instante trágico viu-se um presidente chulo, grosseiro, destilar uma sequência de palavrões dignos das pessoas mais abjetas. Seus assessores diretos vociferaram contra os ministros do Supremo Tribunal Federal pedindo suas prisões, repudiaram os povos indígenas, insultaram a imprensa, ameaçaram processar governadores e mais um rosário de aberrações, sempre com a empáfia dos prepotentes. 

Interessante é que alguns setores de nossa imprensa, talvez aqueles que se locupletaram no regime militar, os que guardam boas lembranças daquele tempo, contradizendo as suas aspirações, vêm a público dizer que não existe a mínima condição de haver um golpe.

É até possível que isso seja verdadeiro, por dois aspectos, um deles é que Bolsonaro não se encaixa plenamente no perfil de nossas forças armadas, o outro é que o Tio Sam não anda muito de acordo com esses procedimentos. E embora Donald Trump seja outro louco no poder, não segue a mesma linha da política internacional de seu antecessor Lyndon Johnson, o presidente americano que promoveu o nosso golpe militar de 1964. 

Ora, se Bolsonaro está fazendo essa mise en scene toda, sem perspectiva alguma de dar certo, insinuando futuras intervenções em outros poderes, colocando-se como autoridade acima da Lei, só uma justificativa pode lhe ser atribuída e o futuro revelará.

Quando essa poeira baixar e esse vendaval dobrar a esquina do tempo,  todos  se lembrarão dele como O Homem Que Queria ser Rei! 

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