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Segunda-Feira, 18 de Março de 2019 02:31

Surubinense Padre Júnior é desligado da Igreja Católica

27/02/2019

À reportagem, Padre Júnior disse ter recebido com profunda tristeza a decisão, afirmando que cumprirá a determinação da Igreja (Foto: Reprodução/ Divulgação)

NOTA DA REDAÇÃO: A matéria a seguir foi publicada pelo portal do Jornal da Manhã, de Uberaba (MG), em 28 de setembro de 2018, mas apenas agora a população de Surubim, está tomando amplo conhecimento da notícia. Até então, era um fato que poucos sabiam, por isso o Correio do Agreste está publicando a informação neste momento. Confira o texto na íntegra:

Do Jornal da Manhã/ Uberaba (MG)

Nota enviada à imprensa no fim desta quinta-feira (27), confirma a demissão de José Lourenço da Silva Júnior, o Padre Júnior. Na nota de esclarecimento, a Arquidiocese de Uberaba informa que a decisão é do Papa Francisco, após longo processo canônico, tendo sido ouvida a Congregação para o Clero. Dessa forma, Padre Júnior foi dispensado das obrigações sacerdotais, incluindo o celibato, não sendo mais reconhecido como padre.

Ele teria sido notificado ainda ontem. Em nota encaminhada à reportagem, a assessoria de imprensa da Arquidiocese de Uberaba informa que o processo é sigiloso para resguardá-lo. “O senhor José Lourenço sabe do conteúdo de todo o processo e foi lhe dada a possibilidade de ampla defesa. [Ele] contratou advogado eclesiástico sacerdote, que o acompanhou no processo da Primeira Instância até Roma. Por ser um processo interno da Igreja, é necessário que seja um advogado eclesiástico (apenas uma observação: este advogado deve ter mestrado e doutorado em Direito Canônico, e receber autorização da Santa Sé para exercer essa função). Quando o processo é relacionado a um sacerdote, o advogado eclesiástico também deve ser sacerdote”, informa a nota.

Ainda conforme a Arquidiocese, o juiz responsável pelo processo em Uberaba foi trazido de Recife para garantir a isenção e lisura do mesmo, “inclusive para que o imputado e o povo de Deus não alegassem perseguição”. A Arquidiocese ressalta que o processo foi analisado por três juízes da Congregação para o Clero, em Roma, antes de ser remetido ao Santo Padre, para a decisão final.

Nos quase cinco anos que o padre ficou afastado, sem assumir nenhuma paróquia, a Arquidiocese de Uberaba garante ter continuado pagando o salário, o plano de saúde e o INSS a José Lourenço. Segundo a assessoria, mesmo tendo sido notificado da demissão, para que ele não fique totalmente desamparado, a Arquidiocese ainda o auxiliará financeiramente e manterá o plano de saúde.

Em áudio direcionado aos “irmãos da fé” (confira abaixo), Padre Júnior confirmou o recebimento da notícia, a que classificou como “a dor maior”. “No entanto, percebi depois em que saí da Cúria, o quanto eu tinha que renascer no Espírito Santo, sem mágoas, sem julgamentos e sem destruir a ninguém, nem ao Santo Padre, nem ao Dom Paulo, o arcebispo, sacerdotes, meus irmãos, seminaristas, religiosas, religiosos, leigos e leigas consagrados nesses 33 anos de sacerdócio”, desabafou.

Padre Júnior declara que em Uberaba ele aprendeu a ser padre e mais gente e garante que continuará sua missão, agora como leigo, mas reitera que foi celebrado sacerdote. “Não posso celebrar Eucaristia, confessar, enfim, não posso exercer os sacramentos da Igreja porque estou no estado laical, mas sou para sempre sacerdote. Tenho consciência porque fui ordenado pela imposição das mãos e, assim, tendo a minha vida de consagração”, revelou ele, acrescentando que não vai abrir nova igreja nem ir contra o que a Santa Igreja lhe pediu. Padre Júnior declarou que colocará em prática muito em breve um projeto de acolhimento para prover o resgate humanizado a quem quer ocupar seu espaço na sociedade como filho de Deus. “Fiz isso até ontem como padre da Igreja Católica, agora faço como leigo, mas consagrado para Deus, a serviço dos excluídos do mundo e não de Deus”, explicou, reiterando que o local será de conversa e oração, mas não se tratará de um templo.

Pediu aos irmãos que não fizessem mensagens contra o Papa nem a nenhum membro da Igreja Católica. “Se eu fui merecedor de receber essa tão grande tristeza em ouvir que não sou mais sacerdote da Igreja, mas escutando a voz de Deus, sei que sou filho da Igreja e por ela vou morrer sempre, amando meus irmãos, não a instituição, mas sim uma Igreja que Jesus fundou onde estava aplicada não as leis humanas, mas a lei do amor”, pediu.

Padre Junior reiterou que vai continuar atendendo pelo nome de padre. Ele aproveitou a mensagem para pedir a ajuda de todos que conheceram seu trabalho no sacerdócio e perdão a quem possa ter decepcionado. “Mas a misericórdia de Deus é maior”, declara, pedindo ainda orações em sua intenção.

Segundo o colunista Wellington Cardoso Ramos, do Jornal da Manhã, “lamentada por uns e aplaudida por outros, a exclusão de padre Júnior da Igreja Católica não chega a surpreender. Há anos ele havia se colocado à margem da instituição, depois de desafiar ordens superiores e perder a paróquia à qual, no passado, arrastara multidões. Houve uma época em que as missas por ele celebradas lotavam a tradicional Igreja de São Judas Tadeu. Júnior havia se tornado um mito em popularidade e referência. Se fiéis doentes buscavam em suas preces a cura desejada, políticos de todas as cores marcavam presença nas celebrações em busca do seu apoio”, escreveu.

 

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